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SAÚDE

Estudo mostra benefícios de contar histórias para crianças

Resultado foi publicado em periódico dos EUA.

09/06/2021 19h16Atualizado há 2 semanas
Por: Fernanda Souza
Foto/Reprodução
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Contar histórias para as crianças traz tanto benefícios fisiológicos quanto emocionais para elas. É o que provou um estudo inédito realizado com crianças de 2 a 7 anos, internadas em unidades de terapia intensiva (UTIs). Ao final de leituras de até 30 minutos, elas relataram sentir menos dor, passaram a encarar o tratamento de forma mais positiva e ficaram mais confiantes. 

Os resultados do estudo do Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e da Universidade Federal do ABC (UFABC), feito em parceria com a Associação Viva e Deixe Viver (Viva), foram publicados este mês na Proceedings of the National Academy of Sciences, periódico científico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

“[A contação de história] possibilita que, a partir do pensamento e da imaginação, a criança comece a habitar outro mundo, vá para outro mundo, o do personagem. Esse transporte que a narrativa permite, tira a criança daquele ambiente da UTI”, diz o pesquisador associado do IDOR e primeiro autor do estudo, Guilherme Brockington.

Pesquisa

A pesquisa foi realizada com 81 crianças, de 2 a 7 anos, internadas na UTI no Hospital São Luiz Jabaquara, da Rede D´Or, em São Paulo. Todas apresentavam condições clínicas similares e problemas respiratórios como asma, bronquite e pneumonia.

Cerca da metade delas (41) participou de um grupo no qual contadores voluntários da Associação Viva e deixe Viver liam histórias infantis durante 25 a 30 minutos. O outro grupo, de 40 crianças, participou de jogos com perguntas de enigmas e adivinhações propostas pelos mesmos profissionais e durante o mesmo intervalo de tempo.

Para medir os efeitos das intervenções, foram coletadas amostras de saliva de cada participante com o objetivo de analisar as oscilações de cortisol e ocitocina, que são, respectivamente, substâncias relacionadas ao estresse e à empatia. As amostras foram coletadas antes e depois de cada sessão. As crianças também realizaram um teste subjetivo sobre o nível de dor que estavam sentindo antes e depois de experimentarem as atividades, bem como realizavam uma tarefa de associação livre de palavras ao verem sete cartas com ilustrações de elementos do contexto hospitalar.

A análise dos dados mostrou que os dois grupos foram beneficiados. Os resultados do grupo que participou da contação de histórias, no entanto, foram duas vezes melhores do que o grupo das adivinhações.

“O que a gente acredita, pelo conjunto de evidências, é que esse elemento de conexão humana, de terem duas ou mais pessoas juntas conversando sobre a mesma história e compartilhando aquele momento, isso de fato tem se mostrado um elemento fundamental para ampliar esse poder da narrativa”, diz Brockington.

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