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TECNOLOGIA

Pix: saiba quais são os principais golpes e como se proteger

Facilidade para fazer transferências bancárias é uma vantagem para os clientes e uma oportunidade para criminosos.

16/07/2021 11h23Atualizado há 2 semanas
Por: Fernanda Souza
Foto/Reprodução
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Os brasileiros podem utilizar o Pix para transferências bancárias desde novembro de 2020. A facilidade para realizar transferências bancárias, porém, despertou o interesse de criminosos que passaram a aplicar golpes para roubar o dinheiro das vítimas.

De acordo com Rolse de Paula, Diretora da Associação Brasileira dos Advogados (ABA), em Curitiba, e especialista em direito aplicado, o crime mais praticado atualmente é o de engenharias sociais para ter acesso às informações pessoais dos usuários. Nesse caso, a própria vítima fornece informações pessoais, em perfis na internet ou em cadastros falsos, e esses dados são usados como base para aplicar um golpe.

"O golpista entra em contato com a vítima já com informações daquela pessoa. Eles sabem quem são os parentes e amigos próximos dos usuários e também aqueles que trocam informações financeiras pelo aplicativo", destaca a advogada.

Com essas informações, o cibercriminoso entra em contato com a vítima e tenta se passar por alguém conhecido para pedir uma transferência por Pix. Para evitar cair nesse golpe, a dica é ficar atento aos dados do destinatário da transferência, como nome, banco, agência e CPF.

Rolse lembra também que os Bancos e instituições financeiras nunca solicitam dados pessoais e financeiros por mensagens ou ligações. Contatos deste tipo devem ser sempre considerados como tentativa de fraude.

Francisco Gomes Júnior, advogado especialista em direito digital, ressalta que os usuários também devem ficar atentos a como os criminosos podem agir quando roubam celulares e tentam acessar os aplicativos bancários.

"Se a pessoa tiver o celular roubado, o maior perigo é o ladrão realizar transações que têm como destino contas laranjas, o que dificulta a identificação dos destinatários", diz o especialista.

Os especialistas afirmam que uma boa estratégia é sempre ter por perto o IMEI (Identificação Internacional de Equipamento Móvel) do dispositivo, que pode ser usado para bloquear o telefone junto com a operadora responsável por ele. Esse número costuma estar na caixa original do aparelho ou pode ser consultado digitando o código *#06# no aparelho, nesse caso seria necessário anotar e guardar.

Francisco orienta também que a pessoa apague imediatamente os dados do aparelho remotamente. Os sistemas Android e iOS podem ser acessados pelo PC onde a vítima pode deletar todas as informações.

A diretora da ABA afirma que outro golpe muito aplicado é o do QR Code falso, que acontece quando o criminoso tem acesso a algum registro de compra da vítima e se passa por um vendedor cobrando um valor que precisaria ser acertado.

Como medida preventiva para esse caso, Rolse aconselha que as pessoas sempre fiquem atentas aos dados do destinatário antes de fazer uma transferência bancária e desconfiar de promoções exorbitantes ou que ofereçam formas fáceis de ganhar dinheiro.

Francisco aconselha habilitar a autenticação em duas etapas em todos os aplicativos que tenham essa opção. Assim, além da senha do desbloqueio do celular é indicado ter senhas específicas para entrar em cada App.

Outra precaução é o uso da dupla checagem para operações financeiras, evitando que a confirmação se dê por código enviado por SMS, já que no caso de roubo, furto ou perda do aparelho o SMS fica de fácil acesso para o criminoso.

Para dificultar ainda mais a ação de criminosos, vale também habilitar senhas alfanuméricas mais longas, além dos 6 dígitos padronizados. Para isso, acesse as configurações do celular e configure uma nova senha com mais dígitos e/ou letras.

Caso a pessoa já tenha identificado que caiu em um golpe, os advogados orientam o cliente a entrar imediatamente em contato com o banco que foi o destino do Pix, além de fazer um boletim de ocorrência para ter o registro do crime.

Após registro do crime, é necessário entrar em contato com os bancos que a pessoa costumava usar por aplicativos do celular e encaminhar cópia do boletim de ocorrência e solicitar o bloqueio de cartões.

"Caso a instituição não dê o tratamento adequado, o usuário deve entrar em contato com o Banco Central, pelo telefone 145”, aconselha Rolse. Dependendo do caso, pode ser necessário ainda entrar com uma ação judicial.

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