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INVESTIGAÇÃO

Governador do Ceará manda investigar ameaças a padre que criticou corrupção na pandemia

Conforme a Arquidiocese de Fortaleza, as mensagens ofensivas contra o padre Lino são constantes, nas redes sociais e no número de WhastApp que a igreja disponibiliza.

19/07/2021 11h04Atualizado há 1 semana
Por: Fernanda Souza
Foto/Reprodução
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O governador do Ceará, Camilo Santana, solicitou que a polícia investigue as ameaças contra o padre Lino Allegri, hostilizado por um fiel na Paróquia da Paz, no Bairro Aldeota, em Fortaleza, após criticar a corrupção na pandemia de Covid-19.

"Inaceitável a atitude desses que se dizem cristãos 'invadirem' uma igreja para insultar e intimidar um líder religioso. Informo que desde a semana passada determinei ao nosso secretário da Segurança para não só enviar policiais para garantir a integridade do Padre Lino, como instaurar inquérito para apurar qualquer tipo de ameaça contra ele", publicou Camilo Santana.

No domingo (18/07), a Secretaria da Segurança do Ceará montou um esquema de policiamento no entorno da igreja. Uma semana antes, um padre foi interrompido ao ler uma mensagem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em que cobra "apuração, irrestrita e imparcial" de pessoas denunciadas por "corrupção" e "prevaricação" no contexto da pandemia.

"Esse padre transformou o altar em palanque político, impondo ideologia. Vá fazer política lá fora, aqui virou um reduto da esquerda", gritou o homem. Os fiéis presentes reagiram com gritos de "respeito" e "fora, Bolsonaro". Em seguida, ele retirado da igreja pelos fiéis.

O prefeito da capital cearense, José Sarto, também se solidarizou com o religioso e ressaltou o apoio ao governador para que os autores da ação, que ele chamou de "intolerância religiosa", sejam responsabilizados.

"É inaceitável a hostilização sofrida por padre Lino Allegri, a quem dedico minha solidariedade. Mais um grave episódio de intolerância e uma afronta aos ensinamentos cristãos", escreveu Sarto em rede social.

Conforme a Arquidiocese de Fortaleza, as mensagens ofensivas contra o padre Lino são constantes, nas redes sociais e no número de WhastApp que a igreja disponibiliza. "São essas pessoas que acham que a gente é comunista", afirmou o padre Ermano Allegri, irmão do padre Lino.

"Esse homem gritou contra o padre Lino, mas ele não estava na igreja no momento, ele acabou mijando fora do penico. De qualquer forma, foi uma agressão descabida e é preciso se proteger de qualquer tipo de agressão, não sabemos até que ponto isso pode chegar", disse o padre Ermano.

Por conta das ofensas, Ermano afirma que o irmão avalia solicitar uma medida protetiva ao serviço de Proteção aos Defensores e Defensoras de Direitos Humanos (PPDDH).

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