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CORRUPÇÃO

Covid-19 provoca epidemia de corrupção no mundo e falsas vacinas são novo temor

A corrupção, manipulação ou fraude não estão limitadas a países pobres.

21/07/2021 08h02
Por: Redação
Foto/Reprodução
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Um novo vírus, um acúmulo de mortos, governos pressionados, tratamentos escassos e a inexistência de redes de distribuição para os produtos que salvariam vidas. A esse coquetel, somam-se políticos e empresários sem escrúpulos. O resultado é uma tormenta perfeita que abriu caminho para um surto de corrupção, fraudes e irregularidades em diferentes países do mundo, registrado em auditorias internas, documentos confidenciais, informes de governos e pesquisas.

Investigações indicam que a pandemia também foi instrumento para enriquecimento de autoridades e de parte do setor privado. No Brasil, a CPI da Covid mergulha na rota do dinheiro e nos contatos entre empresas e membros do governo. Em outros países, graves suspeitas também surgiram, fruto de um aproveitamento errado da urgência da crise sanitária.

A corrupção na saúde não é uma novidade. De acordo com a Transparência Internacional, gastam-se US$ 7,5 trilhões por ano no mundo nesse setor. Mas US$ 500 bilhões são desperdiçados na corrupção.

Segundo pesquisa de opinião feita pela entidade, de cada cinco pessoas, uma admite já ter pagado propina para garantir tratamento de saúde.

No caso da pandemia da covid-19, o alerta soou antes mesmo da chegada das primeiras vacinas ao mercado. Em outubro de 2020, o diretor-geral do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime, Ghada Fathi Waly, afirmou aos governos em uma reunião fechada que o mercado online de vacinas falsas era "a ameaça criminosa mais séria" até aquele momento.

Em janeiro, a mesma entidade lançou um segundo alerta, apontando para governos em diferentes partes do mundo que tinham criado comissões especiais para negociar a compra de vacinas.

Corrupção mata

Levantamento de março de 2021 da Munich Society for the Promotion of Economic Research constatou que não foi apenas o vírus que matou. Depois de avaliar dados de 64 países, a entidade concluiu que existe uma "forte correlação entre os níveis de corrupção pública em 2019 e os níveis de taxas de fatalidade pela covid-19 ao final de 2020".

Na Noruega, uma parceria entre agências internacionais de desenvolvimento e o Ministério das Relações Exteriores do país a U4 Anti-Corruption Resource Centre, também revela que a disseminação da corrupção na pandemia atinge uma ampla parcela dos governos.

"As perdas financeiras estão se acumulando", disse em seu último informe sobre a situação da corrupção no primeiro semestre de 2021.

Na África do Sul, a Unidade Especial de Investigação identificou a corrupção como a principal causa da perda de mais de US$ 800 milhões em contratos públicos durante os primeiros meses da pandemia. Por enquanto, a unidade recuperou cerca de US$ 104 milhões. Mais de 60 pessoas estão sendo investigadas e cerca de 90 empresas foram banidas de licitações públicas.

Em Uganda, uma auditoria oficial revelou que US$ 15,2 milhões destinados à distribuição de produtos para combater a pandemia desapareceram.

No Malawi, investigações apontam para o desvio de milhões de dólares. Em abril, 64 pessoas foram presas e um dos ministros caiu do cargo.

No Quênia, investigações que foram iniciadas pela imprensa local acabaram abrindo uma crise política, greves e protestos. Nas licitações para a compra de equipamentos de proteção, a empresa vencedora não tinha qualquer experiência no setor de saúde.

A corrupção, manipulação ou fraude não estão limitadas a países pobres. Uma pesquisa realizada pela Transparência Internacional revelou que:

Na Europa, 29% dos cidadãos usaram conexões pessoais ou parentes para receber atendimento médico durante a pandemia --quase uma a cada três pessoas. Essa taxa sobe para 46% em Portugal.

Mais de 6.5% dos entrevistados indicaram que pagaram propinas para furar fila. A taxa chega a 22% na Romênia e 19% na Bulgária.

Em abril, num alerta lançado aos governos do bloco, o Conselho da Europa apontou que apenas 40% de suas recomendações sobre medidas que deveriam ser tomadas para evitar a corrupção na pandemia tinham sido adotadas pelas autoridades.

Outro foco de preocupação internacional é a relação entre governos e empresas farmacêuticas. Num levantamento, jornalistas da Red Palta e pesquisadores da Fundación Directorio Legislativo, na Argentina, revelaram que pelo menos 13 países da América Latina alteraram as suas leis para facilitar a compra de vacinas.

No Peru, o ex-presidente Martin Vizcarra foi acusado de ter sido secretamente vacinado antes do início da campanha oficial de imunização, assim como outras 500 pessoas.

Para a consultoria KPMG, tanto no setor público como privado, a pandemia exigiu "decisões rápidas, causou falhas nas cadeias de distribuição e enfraqueceu os mecanismos de controle". "Todos esses fatores intensificaram os riscos de corrupção, fazendo com que reformas anticorrupção sejam mais urgentes que em qualquer outro momento."

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