ABI - Liberdade de imprensa
MAR REVOLTO

Prefeitura gastou mais de R$ 20 milhões em leitos fantasmas, locação de tendas e outras irregularidades

Operação Mar Revolto investiga fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro nas contratações de produtos e serviços na pandemia

02/09/2021 11h28
Por: Vanderlei Filho
Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

O prefeito de São Sebastião, Felipe Augusto (PSDB), acordou com a visita do Ministério Público (MP) em sua casa, no bairro Porto Grande, na manhã do dia (01/09). Ele foi alvo da operação Mar Revolto, que investiga fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro nas contratações de serviços, produtos e equipamentos hospitalares destinados ao enfrentamento da Covid-19 no município.

A ação contou com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e cumpriu 27 mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura, Secretaria de Saúde, Hospital de Clínicas, Conselho Municipal de Saúde e na Fundação de Saúde. Além de empresas que forneceram produtos e serviços ao município e residências de agentes públicos e empresários, entre eles a ex-secretária de Saúde, Ana Soares, e o atual secretário e vice-prefeito, Reinaldinho Moreira.

A operação começou às 6h e cumpre ainda outros mandados de busca e apreensão nas cidades de Caçapava (SP), Aracruz (ES) e Vila Velha (ES). Em São Sebastião, 110 policiais militares, 27 viaturas, 18 promotores E sete servidores foram mobilizados para as ações.

Irregularidades no combate a pandemia

Nos primeiros meses da pandemia, de acordo com a investigação do MP, a prefeitura teria gasto cerca de R$ 20 milhões em serviços, produtos e equipamentos supostamente destinados ao combate à doença, embora muitos deles sequer tenham sido efetivamente empregados com este fim.

A locação de tendas para hospital de campanha no Centro e outro em Boiçucanga está entre as irregularidades apontadas. Os espaços tiveram custo de quase R$ 1 milhão apenas para montagem da estrutura, mas os 250 leitos nunca foram utilizados por pacientes.

A reportagem apurou que um dos investigados, ligado a uma empresa suspeita de ser usada em um esquema, foi preso durante o cumprimento do mandado por porte ilegal de 42 munições. Ele pagou fiança de R$ 2 mil e foi liberado.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.