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CPI

No último dia de depoimentos, CPI da Covid ouve ex-médico e paciente da Prevent Senior

Walter Correa e Tadeu Frederico Andrade prestarão depoimentos na condição de testemunhas.

07/10/2021 10h48
Por: Vanderlei Filho
Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid ouve nesta quinta-feira (07/10) o médico Walter Correa de Souza Neto, que trabalhou para a Prevent Senior, e o advogado Tadeu Frederico Andrade, paciente da operadora de plano de saúde.

A Prevent Senior é acusada de ocultar mortes de pacientes por Covid-19 e de pressionar médicos a prescreverem remédios ineficazes contra a doença. O plano de saúde também é suspeito de participar de um "gabinete paralelo" do Palácio do Planalto, que, para a CPI, orientava o presidente Jair Bolsonaro sobre condutas durante a pandemia.

A sessão desta quinta-feira (07/10) deve ser a última reunião da comissão para tomada de depoimentos antes do encerramento dos trabalhos, previsto para o próximo dia (20/10).

Walter Correa e Tadeu Frederico Andrade prestarão depoimentos na condição de testemunhas. O ex-médico da Prevent obteve na quarta-feira (06/10), no Supremo Tribunal Federal (STF), o direito a ficar em silêncio e não responder a perguntas que possam incriminá-lo ou interferir no sigilo profissional.

Dossiê

Walter Correa ajudou na construção de um dossiê entregue à CPI com denúncias contra a operadora de saúde Prevent Senior.

Entre os assuntos tratados no documento, Walter e outros ex-funcionários do plano de saúde relataram pressão da empresa para a concessão de alta precoce de pacientes, com o objetivo de redução de custos e liberação de leitos nos hospitais da rede.

Tadeu Frederico Andrade, que também prestará depoimento nesta quinta (07/10), teria sido um dos pacientes a quem a empresa teria tentado dar alta antecipada da UTI.

No dossiê, os denunciantes também afirmam que médicos contrários à prescrição do chamado "Kit da Covid" eram retaliados pela Prevent com a redução do número de plantões e, consequentemente, da remuneração; ou até com demissões.

Os profissionais de saúde relatam sentir medo, apreensão e insegurança desde que as denúncias foram divulgadas.

A Prevent Senior também é suspeita de ter conduzido um estudo clínico, com indícios de fraudes, sobre a segurança e eficácia de medicamentos comprovadamente ineficazes contra a Covid-19. Isso teria ocorrido sem a devida aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

A empresa nega as acusações e afirma que sempre atuou dentro de parâmetros éticos e legais. A operadora de saúde diz ainda que sempre respeitou a autonomia dos médicos e nega fraude em estudo realizado para testar eficácia da hidroxicloroquina no combate à Covid-19.

No último dia (22/09), à CPI, o diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, também negou ocultação de dados para esconder mortes em razão da doença.

À CPI da Covid na quarta-feira (06/10), o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Paulo Rebello, anunciou que um diretor técnico da agência reguladora passará a acompanhar as atividades da Prevent.

Redução de custos

Familiares de Tadeu Frederico Andrade, de 65 anos, que teve Covid-19, acusam a operadora Prevent Senior de recomendar a adoção de tratamento paliativo, que é oferecido, dentre outras situações, para pacientes incuráveis.

Segundo a família, o cuidado paliativo seria adotado para economizar custos e ocorreria em detrimento de outros tratamentos.

Recuperado, Tadeu Andrade encaminhou uma denúncia ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Entre os documentos enviados está um prontuário no qual uma médica da operadora orienta a suspensão de uma série de procedimentos médicos, como medicação intravenosa e hemodiálise, e também pede que o paciente não seja submetido a manobra para reanimação cardiorrespiratória.

Nesse caso, segundo a família, a suspensão dos procedimentos seria uma estratégia mais vantajosa financeiramente. Os familiares afirmam que a suspensão dos cuidados por pouco não foi adotada sem sua concordância.

Em nota, a Prevent Senior disse que a operadora não toma decisões com base em custos e que, no caso em questão, a empresa deu todo o suporte ao paciente, acatando a vontade dos familiares.

Conclusão dos trabalhos

Instalada no final de abril para investigar ações e omissões do governo federal durante a pandemia da Covid-19, a CPI está próxima da conclusão de suas atividades.

A reunião desta quinta-feira (07/10), provavelmente a última para coleta de depoimentos, será a 64ª do colegiado. Segundo o gabinete de Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI, cerca de 60 oitivas foram realizadas desde o início dos trabalhos.

Na próxima semana, do feriado de (12/10) de outubro, Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, vai se dedicar à conclusão da elaboração do relatório final da comissão.

Veja a programação prevista até o fim da CPI:

18 de outubro: relatório final deve ser disponibilizado aos integrantes da comissão;

19 de outubro: haverá uma cerimônia em homenagem às vítimas da Covid-19 e a leitura do relatório;

20 de outubro: será feita a a votação do relatório.

Pelo menos 30 pessoas devem ter o indiciamento recomendado pela comissão. O presidente Jair Bolsonaro estará, segundo Renan Calheiros, entre os indiciados. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e os gestores da Prevent também devem compor a lista.

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