ABI - Liberdade de imprensa
ECONOMIA

Número de crianças investidoras aumenta 65% em um ano na Bolsa

Participantes com até 15 anos de idade passaram de 13.070, em outubro do ano passado, para 21.630 em neste mês em 2021.

11/10/2021 11h30Atualizado há 2 semanas
Por: Fernanda Souza
Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

De olho no futuro das crianças, pais e responsáveis estão deixando de lado a tradicional poupança para fazer o "o pé de meia" de seus filhos e migrando para a bolsa de valores. Em um ano, o número de investidores com até 15 anos de idade cadastrados na B3 aumentou 65,5%.

O número passou de 13.070 – 7.347 (homens) e 5.723 (mulheres) – em outubro de 2020, para 21.630 – 12.082 (homens) e 9.548 (mulheres) – em outubro deste ano.

Na faixa etária dos 16 aos 25 anos, a participação vem se mostrando expressiva também. Em outubro deste ano, a bolsa soma 481.023 pessoas com este perfil. Em igual período de 2020 eram 415.237, ou seja, alta de 15,84%.

O movimento vem agradando economistas ouvidos nesse Dia das Crianças. Para eles, o aumento do cadastro de CPFs de menores de idade na bolsa de valores mostra que a educação financeira está finalmente começando a tomar forma no Brasil.

Para Miguel José de Oliveira, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), a falta de educação financeira da população sempre foi vista como um grande problema.

E, segundo ele, afeta, inclusive, pessoas esclarecidas, jovens que ainda estão na faculdade, são imediatistas, querem as coisas na hora e acabam se endividando com cartão de crédito por nunca pensarem em economizar e juntar dinheiro, por exemplo.

"Ele tem o tempo ao seu lado enquanto uma pessoa madura terá de fazer um esforço financeiro maior para juntar mais dinheiro, renunciando ao consumo presente para financiar sua aposentadoria."

Ainda que a reforma da Previdência estabelece que o profissional saia com mais de 60 anos do mercado de trabalho, a longevidade do brasileiro vem crescendo cada vez mais.

"Estamos vivendo cada vez mais e essa vida terá de ser financiada com o dinheiro que juntamos ao longo da vida. Quanto mais cedo começarmos a guardar, menos precisaramos sacrificar nosso consumo atual."

Juliana Inhasz, professora de economia do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) acredita que esse movimento já vem acontecendo há tempos.

''As pessoas tem tido maior exposição à informação. Isso é muito propício nessas novas gerações que se informam por meio de streaming, redes sociais (YouTube , TikTok, instagram etc) e influencers que falam sobre finanças.''

A professora, lembra, porém, que muitas vezes "os influencers falam de um jeito como se fosse fácil ganhar dinheiro" e acabam fazendo com que essas gerações pouco experientes caiam nessa falácia, criando uma expectativa negativa. Por isso, é preciso ter muito cuidado com o conteúdo que se acompanha na internet.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.