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PRISÃO

11 PMs são presos por suspeita de homicídios, coação de testemunhas e fraude em locais de crime

Segundo promotor, Corregedoria terá 20 dias para concluir investigações.

25/11/2021 11h56
Por: Fernanda Souza
Foto/Reprodução
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Onze policiais militares foram presos preventivamente em Campinas (SP) suspeitos de participação em uma série de crimes, de acordo com decisão do Tribunal de Justiça Militar do estado de São Paulo (TJM-SP), "inclusive de causar a morte de inocentes apenas com a intenção de satisfazer o desejo pessoal de liquidar pessoas, coagir testemunhas e fraudar locais de crime".

A decisão do juiz Ronaldo João Roth resultou em uma operação da Corregedoria da corporação na terça-feira (23/11), e os investigados tiveram a prisão mantida após audiência de custódia realizada na noite desta quarta. Todos os policiais investigados foram recolhidos ao Presídio Militar Romão Gomes.

"Ainda é uma fase embrionária, os autos estão retornando para a Corregedoria, que terá 20 dias para concluir as investigações. Depois, ela fornece um relatório sobre os fatos, o que ocorreu e a efetiva participação de cada um desses policiais nas supostas empreitadas", explicou o 2º promotor de Justiça Militar Edson Correa Batista. Segundo ele, ao menos dois homicídios teriam elo com o grupo.

Os policiais presos, de acordo com o promotor, atuavam no 1º Batalhão de Ações Especiais (Baep) e na Força Tática do 35º Batalhão de Polícia Militar do Interior (35º BPMI).

Porém, segundo o major André Luiz Pacheco Pereira, nenhum dos 11 policiais pertence ao 1º Baep.

"Depois da conclusão da investigação pela Corregedoria, eu avalio se ofereço a denúncia, peço o arquivamento ou posso até mesmo pedir novas diligências, se não ficar satisfeito com as provas colhidas. Os presos são dos dois batalhões", ressaltou Batista.

Um dos trechos da decisão diz que, durante inquérito, um civil, alvo de ameaças, relatou que participava de ocorrências do 1º Baep "a troco de pagamentos pelas apreensões e prisões em flagrante delito". Já em outro trecho, é mencionado um caso em que policiais da Força Tática "não desejavam localizar e deter o criminoso que praticou um roubo recente, mas que o monitoramento é empregado para o localizarem com o veículo em movimento, para que a abordagem se proceda longe de testemunhas e em situação que os militares já estejam com a 'ferramenta' em condições".

Motivos

Ao determinar a prisão preventiva dos policiais, Roth considerou que ela é necessária para evitar danos às investigações. O envolvimento dos suspeitos com delitos, destaca decisão, ocorreu por meio de interceptações, pesquisas, diligências, entre outros meios, e contou com parecer favorável do Ministério Público para garantir a ordem pública. A periculosidade dos PMs também foi avaliada.

"Na condição de policiais militares, se afastaram de seu dever funcional, quando ameaçam, interceptam ilegalmente civis, inovam locais de crime, e se integram a grupo avesso à autoridade e à disciplina militar formado para a prática de violência contra pessoas com uso de material bélico do estado, colocando em dúvida a credibilidade da instituição Polícia Militar, além de reiteradas práticas criminosas no período investigado", destaca um dos trechos da decisão de Roth.

O que diz a PM?

A assessoria da Secretaria de Segurança Pública do estado (SSP-SP) informou, em nota, na manhã desta quinta-feira (25/11), que não compactua com desvios de conduta de seus agentes e defende a "rigorosa investigação de toda e qualquer denúncia contra eles". Veja o texto na íntegra:

A Secretaria da Segurança Pública não compactua com desvios de conduta de seus agentes e defende a rigorosa investigação de toda e qualquer denúncia contra eles. As prisões realizadas ontem, em Campinas, são resultado de um trabalho da própria corregedoria da Polícia Militar que, diante da suspeita de irregularidades envolvendo policias da instituição, instaurou um inquérito policial militar e remeteu à Justiça Militar.

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