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Avaliação de Bolsonaro na gestão da crise é bem pior que a de governadores, diz Datafolha

Condução do Planalto ante a pandemia da Covid-19 é rejeitada por 41% do Nordeste, 34% do Sudeste, 24% do Norte e Centro-Oeste e 23% do Su

23/03/2020 10h17Atualizado há 5 dias
Por: Valeria Alves
Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

Pesquisa Datafolha divulgada nesta segunda-feira (23/03) revela que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é pior avaliado do que os governadores com os quais se mantém numa crescente disputa na condução da crise do coronavírus.

Segundo o levantamento, Bolsonaro tem sua gestão da pandemia aprovada por 35%, enquanto os gestores estaduais são vistos como ótimos ou bons em seu trabalho por 54%.

A condução do Planalto da crise é rejeitada por 41% dos nordestinos, 34% dos moradores do Sudeste, 24% daqueles do Norte e Centro-Oeste e 23% dos sulistas.

Mesmo o Ministério da Saúde é mais bem avaliado que o presidente: 55% aprovam o trabalho da pasta de Luiz Henrique Mandetta.

Bolsonaro tem protagonizado episódios polêmicos desde que o novo coronavírus tornou-se o tema central de governos de todo o mundo, nas últimas semanas.

Primeiro, o presidente minimizou o perigo, dizendo que se tratava de “histeria” propalada pela mídia.
Depois, insuflou manifestações públicas em seu favor e contra outros Poderes.

No último dia (15/03), participou de ato e abraçou pessoas mesmo estando sob recomendação de isolamento devido aos casos de contaminação na comitiva de sua viagem aos EUA.

A esses episódios se colocaram em oposição governadores como João Doria (PSDB-SP) e Wilson Witzel (PSC-RJ), que têm enfrentado com graus draconianos diferentes a crise, mas adotando atitudes proativas enquanto criticam o Planalto.

O paulista, particularmente, tem buscado apresentar-se como um líder mais responsável e com apelo nacional —No último sábado (21/03), sugeriu que moradores do estado colocassem bandeiras do Brasil em suas janelas como forma de união na crise.

Segundo o jornal Folha de S. Paulo, o levantamento ouviu 1.558 pessoas de 18 a 20 de março. Feita por telefone para evitar contato com o público, ela tem margem de erro de três pontos para mais ou para menos.

Arrependidos somam 15%

Outro dado significativo, que deverá influenciar os crescentes debates acerca da governabilidade sob Bolsonaro, é que apenas 15% dos ouvidos que votaram nele no segundo turno se dizem arrependidos.

Isso impactará a formulação de táticas de políticos que vinham apostando no desgaste mais acentuado do presidente, levando a ruptura.

Por outro lado, quem se arrepende assume uma visão mais crítica do presidente. Isso em relação ao conjunto avaliado em perguntas acerca do desempenho de Bolsonaro.

Mas o transbordo da polarização política para a avaliação do desempenho presidencial não se verifica, contudo, de forma imediata na estratificação de resultados.

Alguns grupos que usualmente apoiam o presidente mantêm sua aprovação no caso do vírus, como os homens (42% de ótimo e bom, ante 29% das mulheres).

Mas o presidente perde apoio significativo entre os mais ricos (renda acima de 10 salários mínimos, 51% de ruim/péssimo) e mais instruídos (com ensino superior, 46%).

Isso pode sugerir um padrão de mudança, especialmente se a situação econômica se deteriorar ainda mais devido à pandemia.

Já o corte regional reproduz, de grosso modo e a despeito das diferenças metodológicas, o padrão dos mapas de orientação política recentes.

De acordo com o Datafolha, o Sul segue uma fortaleza do bolsonarismo —lá, ele registra a maior aprovação de desempenho sobre o coronavírus, 42%.

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