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CORRUPÇÃO

Suíça mantém confiscados R$ 2 bi de corrupção de suspeitos da Lava Jato

Volumes importantes foram restituídos graças aos acordos de delação premiada.

21/02/2021 07h49
Por: Fernanda Souza
Foto/Reprodução
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Bancos suíços ainda mantêm congeladas dezenas de contas relacionadas com suspeitos de corrupção em casos envolvendo as investigações iniciadas pela Operação Lava Jato no Brasil. De acordo com o Ministério Público da Suíça, um total de 310 milhões de francos suíços (cerca de R$ 1,9 bilhão) aguarda ainda uma definição jurídica ou a condenação dos suspeitos.

Iniciada em 2014 e tendo sido aprofundada a partir de 2015, a cooperação entre o Brasil e a Suíça levou as autoridades em Berna a inicialmente congelar 1,1 bilhão de francos suíços em mais de 40 bancos diferentes. Ao longo dos anos, uma parte substancial desses recursos foi devolvida aos cofres públicos, não apenas no Brasil, mas também a outros países e instituições lesadas pela corrupção.

Volumes importantes foram restituídos graças aos acordos de delação premiada. Nas negociações, os suspeitos concordavam em dar informações sobre como o mecanismo de corrupção funcionava e devolverem o dinheiro desviado e, em grande parte, depositado em contas na Suíça.

Uma parcela dos recursos não fez parte das delações e suspeitos continuam lutando nos tribunais para evitar que o dinheiro seja repassado ao estado brasileiro ou outras partes que poderiam ser vítimas da corrupção.

Para que os bancos suíços possam fazer a devolução, os suspeitos precisam ter sido condenados em última instância em seu país de origem. Além disso, os recursos bloqueados precisam ter uma relação direta com o crime.

Fontes no Brasil consideram que alguns desses casos podem levar uma década para serem concluídos.

Um dos instrumentos capazes de impedir que o dinheiro seja liberado e devolvido aos suspeitos é um envio praticamente trimestral por parte do Brasil aos suíços sobre os andamentos dos processos, justamente para mostrar que o trâmite não foi abandonado. A dúvida no Ministério Público é se o desmonte da força tarefa permitirá que esses relatórios possam ser elaborados.

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