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CORRUPÇÃO

CPI da Covid: Provável presidente é acusado de corrupção que desviou mais de R$ 260 milhões

Um empresário investigado pelo MP pagou despesas em Brasília do senador Omar Aziz, que foi indicado para presidir a CPI da Covid

19/04/2021 08h51Atualizado há 4 semanas
Por: Vanderlei Filho
Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

Um depoimento prestado dentro de uma investigação do Ministério Público Federal sobre desvios de mais de R$ 260 milhões em recursos da saúde no estado do Amazonas aponta que um empresário investigado no esquema pagou despesas em Brasília do senador Omar Aziz, que foi indicado após um acordo político para presidir a CPI da Covid.

O depoimento foi prestado no dia 20 de julho de 2019 na Superintendência Regional da Polícia Federal no Amazonas por Nafice Valoz, que foi secretária de Estado de Relações Institucionais e Representações durante todo o período do mandato de Omar Aziz, no período em ele era governador, entre 2011 e 2014.

Os autos da investigação a que a CNN teve acesso mostram também que até hoje o senador está com bens bloqueados e com passaporte retido em razão dessas investigações que ocorreram dentro da Operação Maus Caminhos, considerada por muitos o maior escândalo de corrupção do Amazonas. A esposa do senador e seus irmãos chegaram a ser preso.

Nafice diz que foi responsável pela mudança de Omar de Manaus para Brasília quando ele se elegeu senador nas eleições de 2014 e que “foi chamada para organizar toda a logística de sua instalação na cidade”.

Segundo ela, o empresário Mohamed Mustafa, empresário também investigado no esquema de desvios de recursos da saúde por ter ganho contratos do governo do Amazonas para gerir alguns hospitais, pagava os aluguéis do senador. 

“QUE o senhor Mouhamed Moustafa arcou com essa despesa extra de RS 6.000,00 do aluguel dos móveis QUE acompanhou o pagamento desse aluguel de móveis por apenas três meses por Mouhamed Moustafa; QUE conheceu Mouhamed Moustafa que se apresentou como médico da família, encarregado do pagamento da diferença: QUE entregou a ele uma cópia do contrato com as informações necessárias para ele efetuar os pagamentos; QUE recebeu Mouhamed em seu gabinete duas ou três vezes, sendo a primeira para acertar que os pagamentos ficariam sob a responsabilidade dele, o alertando para que não atrasasse o pagamento, vez que o contrato dos móveis estava em nome da declarante; QUE confirma que reclamou que o depósito não deveria ter sido identificado, e sim em espécie e dividido”, disse. 

O senador, em nota, disse que não há nos autos "nenhuma prova ou até mesmo indício de ligação da minha pessoa com qualquer atividade delituosa".

Procurado, o advogado de Aziz, Simonetti Neto, confirmou à CNN o bloqueio dos bens e o passaporte retido, mas afirmou que o juiz que decretou essas medidas era incompetente e que aguarda a decisão da nova juíza do caso.

Sobre o depoimento da ex-secretária, ele disse o seguinte: “Todo o aluguel do apartamento do senador em Brasília foi pago dentro da lei e o depoimento é de responsabilidade de quem o fez, cabendo à pessoa provar, o que não ocorreu até hoje”. Ele também disse que toda a investigação até hoje não conseguiu provar nada contra o senador, tanto que ele ainda não foi denunciado. “Como homem público que sou, sempre me coloquei à disposição das autoridades competentes para esclarecer sobre qualquer tema relacionado aos fatos em apuração. Confio na Justiça e, em razão de minha total isenção nos fatos em comento, espero, após analisados pelas autoridades competentes, seja materializada minha exclusão da investigação ora tratada”, afirmou.

A defesa do empresário Mouhamed Moustafa diz que a operação Maus Caminhos foi um grande erro, começando por acusações de desvios de verbas federais envolvendo o próprio empresário, secretários, empresários, governador e o Senador Omar Aziz perante um juízo incompetente.

Ainda segundo a defesa, nunca houve desvio de verbas federais e isso já foi decidido no TRF. A defesa afirma que continuará demonstrando “ponto a ponto de toda uma farsa orquestrada contra Mouhamad Moustafa.”

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