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Operação Octopus

Justiça solta 4 dos 6 presos investigados por corrupção e desvio milionário

Entre os investigados estão: políticos, servidores públicos e empresários.

27/04/2021 08h09
Por: Vanderlei Filho
Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

Quatro dos seis presos durante a operação ‘Octopus’, que investiga o desvio milionário de recursos públicos no município de Ferreira Gomes e práticas ilegais em outras prefeituras do Amapá, foram soltos por determinação da Justiça. Eles passaram menos de 48 horas na cadeia desde a prisão, na manhã de sexta-feira (23/04), até liberdade provisória no domingo (25/04).

Entre os investigados estão: políticos, servidores públicos e empresários. De acordo com o Ministério Público do Amapá (MP-AP), que coordenou a operação, o grupo montou um esquema de desvio por meio de empresas selecionadas para prestar serviços ao município.

Ao todo 12 mandados de prisão foram expedidos, mas apenas metade foi cumprido. Entre os procurados está a primeira-dama de Ferreira Gomes, Irrane Almeida.

Um dos presos que passam a responder fora da cadeia é o presidente da Câmara de Vereadores do município, Radson Almeida (PP). Segundo os promotores que coordenam a operação, ele utilizava a influência do cargo para conseguir vantagens.

De acordo com a decisão do juiz Heraldo Nascimento Costa, Radson tem que cumprir recolhimento domiciliar e obedecer toque de recolher entre 20h e 6h. Ele ainda está proibido de frequentar os órgãos públicos que são alvos da investigação.

O advogado Fábio Garcia, que atua na defesa do vereador, apontou a prisão preventiva como atitude precipitada. Ele justifica que não houve oportunidade de demonstrar que o investigado "jamais usou o cargo público em benefício próprio ou de terceiros".

Ainda sobre a operação, que também teve 50 mandados de busca e apreensão, o MP-AP detalhou que a apuração do caso iniciou em 2019 e levantava o desvio de recursos públicos na prefeitura de Ferreira Gomes.

Entretanto, foi descoberto que o grupo atuava ainda em outros municípios: Macapá, Santana, Cutias, Itaubal e Tartarugalzinho. O MP não detalhou as irregularidades identificadas nas outras cidades nem o valor exato dos desvios, que superam R$ 1 milhão.

Entre os crimes investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) estão: fraude à licitação, organização criminosa, falsidade documental e ideológica, corrupção ativa e passiva, prevaricação e lavagem de dinheiro.

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