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Presidente da ANM é indiciado pela PF por supostos esquemas onde eram favorecidos grupos ligados a agência

Mais de 40 pessoas foram indiciadas sob suspeita de integrar esquemas de favorecimento a mineradoras que atuavam de forma irregular

29/06/2026 08h52 Atualizada há 6 horas atrás
Por: Daniel Filho
Foto/Reprodução
Foto/Reprodução

A Polícia Federal concluiu a  operações Rejeito e Parcours e indiciou mais de 40 pessoas sob suspeita de corrupção no setor de mineração em Minas Gerais. Entre os indiciados estão o presidente da ANM (Agência Nacional de Mineração), Mauro Henrique Moreira Sousa, o diretor da agência Caio Trivelatto e empresários.

As investigações apontam a existência de esquema de favorecimento a grupos empresariais dentro da agência reguladora. A operação Rejeito resultou em 34 indiciamentos. A Parcours apurou irregularidades na exploração da Mina Granja Corumi, na Serra do Curral, em Belo Horizonte, e terminou com 16 indiciados.

Entre os empresários indiciados está Lucas Kallas, ex-sócio de Daniel Vorcaro e dono da Cedro Mineração. A PF concluiu que Kallas participou da exploração comercial da Mina Granja Corumi de 2014 a 2018, sendo que a área possui autorização só para um plano de recuperação ambiental. A investigação atribui ao empresário crimes ambientais, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e tráfico de influência.

A PF também afirma ter encontrado indícios de que Kallas custeou um título de sócio-torcedor do Cruzeiro no valor de R$ 12.000 para Wagner Salles, agente público do setor de mineração.

Diálogos entre Kallas, sócios e funcionários obtidos pela investigação indicam o planejamento da exploração da mina, estratégias para ocultar a extração irregular e tratativas com órgãos públicos.

Diretoria da ANM indiciada: 

A PF indiciou o presidente da ANM, Mauro Sousa, por favorecimento ao empresário Luis Fernando Franceschini, que continuou explorando a área da Serra do Curral depois da saída de Kallas. De acordo com a PF, conversas encontradas em celulares revelam uma relação “incompatível com a impessoalidade esperada” entre o dirigente da agência e um empresário do setor regulado.

Na operação Rejeito, o diretor da ANM Caio Trivelatto foi indiciado sob suspeita de atuar em favor de empresas ligadas ao empresário Alan Cavalcante, entre as quais a Aiga Mineração. A PF afirma que Trivelatto influenciou atos administrativos para beneficiar interesses econômicos do grupo e atuou de forma coordenada com a organização investigada. Cavalcante, apontado como líder do esquema, aparece nas duas operações.

 O outro lado:

Nota enviada pela ANM

“A Agência Nacional de Mineração (ANM) não foi comunicada oficialmente sobre o relatório final da investigação mencionada.

A Agência acompanha os desdobramentos do caso e permanece à disposição das autoridades competentes para prestar as informações que forem solicitadas no âmbito das investigações

A ANM reitera que atua no exercício de suas competências legais e regulatórias e adota as medidas cabíveis sempre que formalmente demandada ou quando identificadas situações que exijam providências no âmbito de sua atuação.”

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