O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), afirmou nesta segunda-feira (29) que não pretende afastar o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré Martins, citado em uma investigação da Polícia Federal (PF).
A declaração foi dada durante entrevista à imprensa, em Salvador, na agenda da operação assistida do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), que incluiu uma viagem teste entre a Estação Feira de São Joaquim e a Parada Marisqueiras.
Jerônimo afirmou que não há motivos para afastar o secretário sem provas concretas ou decisão formal da Justiça.
“De forma nenhuma nós vamos fazer afastamento sem qualquer tipo de motivação concreta e provas. Eduardo é advogado, tá se defendendo, dele e da família, minha solidariedade, mas não há um espírito de, é, qualquer afastamento de nenhum secretário, o motivo de estar acontecendo de denúncias ou qualquer tipo de objeto, não há julgamento pra que a gente possa, é, definir ou determinar a saída de qualquer secretário”, disse.
A investigação faz parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionadas ao Banco Master.
Eduardo Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner, aparece nos documentos da investigação como alvo de busca e apreensão e como gestor da BN Financeira.
Segundo a PF, a BN Financeira recebeu R$ 3,5 milhões da empresa PKL One em 17 de outubro de 2025. De acordo com os investigadores, a transferência teria sido precedida por cobranças feitas por Eduardo Sodré a Augusto Ferreira Lima, apontado como ligado ao Banco Master.
Em uma das mensagens citadas pela investigação, Eduardo teria escrito: “Amanhã vence os boletos e são altos”.
A operação cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Entre os alvos e pessoas citadas na investigação estão Jaques Wagner, Augusto Ferreira Lima, Eduardo Sodré Martins e Guilherme Henrique Sodré Martins.
A Polícia Federal busca esclarecer se os pagamentos realizados à BN Financeira correspondem à prestação de serviços ou se integrariam um esquema destinado a dar aparência de legalidade a repasses considerados indevidos.
Os investigadores também mencionam planilhas contendo registros de pagamentos destinados a “Dudu”, apelido atribuído a Eduardo Sodré, que somariam valores superiores a R$ 2,34 milhões.
Jaques Wagner negou qualquer irregularidade e afirma que não é réu nem foi denunciado no caso. O senador também sustenta que o imóvel mencionado na investigação jamais integrou seu patrimônio.
A defesa de Augusto Ferreira Lima afirma que ele atuou dentro da legalidade e considera que as diligências realizadas pela Polícia Federal foram desnecessárias.
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